Home Data de criação : 07/10/16 Última atualização : 11/10/17 13:02 / 10 Artigos publicados

Wave Of Mutilation  (Vitrola) escrito em quinta 18 outubro 2007 13:33

Blog de manifesto :manifesto, Wave Of Mutilation

Imagine uma banda legal, com todos os ingredientes que uma banda independente precisa, um vocal acima do peso empunhando uma guitarra, uma mulher no baixo e vocal. Um som característico, guitarras e bateria pulsando o mais puro rock de garagem. Influencias que vão do Punk ao Surf Rock. Imaginou?

Imagine mais um pouco.

Uma banda que influenciou Nirvana, Pearl Jam e The Smashing Pumpkins entre outras, e  mesmo quando alcançou as paradas se manteve integra ao seu rock.

Essa banda existe, ou pelo menos existiu. Estamos falando dos Pixies. Nascida em 1985 nas imediações de Boston, Massachusetts, a banda teria seu fim em 1993 por divergências internas (historinha batida). Formada por Black Francis, Joey Santiago, Kim Deal e Dave Lovering nunca tiveram outra formação que fosse diferente desta. Remontar a trajetória da banda se torna inspirador pelo fato de estarmos indo atrás de indícios comuns a tantas bandas independentes pelo mundo. O ato de Charles Thompson , que num futuro próximo se tornaria para seu publico Black Francis e Joey Santiago seu colega de quarto, terem colocado aquele velho anuncio conhecido de todos que resume-se em “Estamos montando uma banda. Alguém ta afim?” marcaria o surgimento do Pixies. Atenderam ao anuncio, Kim Deal, baixista de sua banda em Ohio, o The Breeders. Pouco depois um amigo de Kim, David Lovering, assumiria as baquetas.Com discos alternando o melódico e o peso do rock alternativo, marcariam para sempre a velha forma das bandas alternativas, termo que deve muito, senão por inteiro o status que vem impregnando dia a dia o mundo rock. Seu primeiro LP, Surfer Rosa balançou os buracos barulhentos dos States, e do meu quarto também, mas foi na Europa que a banda recebeu maior reconhecimento, máxima que acompanharia a banda durante sua curta estrada. Na seqüência lançam aquele que considero seu melhor disco, e sem falsa impressão é mesmo, Doolittle foi antológico dentro dos patamares atingidos antes pela banda. Enquanto escrevia este texto e durante a maior parte da semana os sons de Doolittle me embalaram, e garanto que não foi pela grudenta  "Here Comes Your Man", todo disco é demais, pra conferir mesmo. O mar agitado dentro do planeta Pixies começava a dar sinais de revolto, brigas, desentendimentos principalmente entre Kim e Francis, criaram um desgaste na atmosfera lúcida da banda.  Foi nesta nebulosa que aos poucos se consumia que nasceu em 1990 o disco Bossanova, meu segundo disco favorito dos Pixies. Em novembro do ano seguinte lançariam Trompe Le Monde, um suspiro antes do fim. Você com certeza não ira se arrepender se procurar pela discografia da banda. Para quem se interessar pelo som de umas das bandas mais inspiradoras de todos os tempos: Come On Pilgrim(1987) (EP) Surfer Rosa(1988) Doolittle(1989) Bossanova(1990) Trompe Le Monde(1991)

Pra fechar a conta: 

Em 2004 a banda se reuniu para uma turnê, fazendo inclusive um show para todos os sortudos de plantão em Curitiba.  

Um ótimo feriado a todos, e até a próxima!

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SPLEEN E IDEAL - O ALBATROZ  (Flores de Baudelaire) escrito em quinta 18 outubro 2007 10:47

Blog de manifesto :manifesto, SPLEEN E IDEAL - O ALBATROZ

Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.

Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés,
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.

Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado!


O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado ao chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.


L’ALBATROS

 Souvent, pour s’amuser, les hommes d’équipage

Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,

Qui suivent, indolents compagnons de voyage,

Lê navire glissant sur lês gouffres amers. 

 

A peine les ont-ils déposés sur les planches,

Que ces rois de l’azur, maladroits et honteux,

Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches

Comme des avirons traîner à côté d’eux.

 

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!

Lui, naguère, si beau, qu’il est comique et laid!

L’un agace son bec avec un brûle-gueule,

L’autre mime, en boitant, l’infirme qui volait! 

 

Le Poète est semblable au prince des nuées

Qui hante la tempête et se rit de l’archer;

Exilé sur le sol au milieu des huées,

Ses ailes de géant l’empêchent de marcher.

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Stupid and contagious  (Stupid & Contangious) escrito em quarta 17 outubro 2007 19:58

I

 

                                                              

  

Um cara tranqüilo.

Sem os ásperos anseios da sociedade. Trabalhar, estudar, dormir, acordar e trabalhar, estudar, dormir e acordar.

Ele se sobressaía em meio às massas. Uma pulga saltitando em um gigantesco elefante de ansiedade.

Tinha seus defeitos, como todos nos temos, mas o fácil acesso a esse cara legal o diferenciava. Definitivamente, um cara tranqüilo.

Não desses conformados, ele fazia mais o tipo “eu penso que”, rebolando no meio das palavras e sempre encontrando explicação para seus pontos de vista.

Um jeitão despojado meio desleixado beirando o abandono. Nem poderia ser diferente. Ainda mais na década de 90. Maltrapilhos do mundo todo zumbiam por todos os cantos. Ainda mais para um jovem com seus quase 22 anos fazendo administração na USF. Empilhando idéias de mundo melhor com impeachment, rock e hot dog’s.

 

Revolucionário a todo instante, um coadjuvante empolgado com a evolução e libertinagem dos movimentos por ele nunca vistos.

Não bastava degustar desse vinho envelhecido por alguns anos de adolescência, era preciso trancar-se no porão e não se esconder pela timidez, nem mesmo ficar sentado esperando a velhice ou os 30 chegarem.  

Neste caso, o “libertino” era apenas uma palavra e ele nem fazia questão de entendê-la, bastava movimentá-la, dançando bêbado sua liberdade em bares próximos da faculdade.

 

Quem viveu as efervescências de 1992 sabe o que esta rolando aqui.

Davi free-lance. Pela manhã um programador de Access, aprendeu no escritório de seu pai fazendo programas de controle de clientes, uma velha imobiliária na Dom Aguirre, minúscula.

A partir das 13:00 um auxiliar de enfermagem na Sta Casa de Misericórdia. Sangue e vômitos em jato. Pacientes no jardim. Ele socorrendo epiléticos, carregando as baterias de hemofílicos. Nas folgas catando a auxiliar de enfermagem na troca de turno, os materiais de limpeza espremidos no cubículo da sala de limpeza emprestavam o pouco espaço para suas libertinagens esterilizadas, cheirando acetona e benzina, seu gosto do prazer.     

Depois, as 19:00, a administração, o sonho da mamãe.

Quatro horas empurradas pela fome e aliviadas pela conversa politicamente revoltada dos universitários. Todos na cantina embalados pelos assuntos mais clichês, de Mandela a formação da União Européia, tentando não parecer convencionais. Um avassalador rodamoinho que inflava cada vez mais o sono deste cara legal.     

Bocejos a parte, no seu quarto depois da faculdade, um som pra relaxar. Uma radio podre, que tocava todo tipo de podreira.

Davi vez por outra sintonizava imaginando encontrar hora ou outra algum som anestesiante. Mas era difícil. Na grande maioria das vezes melava-se com pérolas como “The One” de Elton Jonh, para ele “um sono bem produzido”, dizia olhando

pro teto.

 

No dia seguinte a alegria no ar. A transmissão radiofônica da área Central era bem superior a dos Altos do Lourenção.

Um rádio Phillips com toca-fitas espalhava o silencioso clima do escritório, deixando uma chibatada resmungando, passando um leve tremor pelo assoalho de madeira, desses arrepios que colam sapatos no chão e trepidam as cabeças. Um refrão que da sala de entrada era um som ambiente. Mas abrindo a porta da pequena sala de Davi, chocava-se o rosto nos versos.

 

Talvez as palavras mais violentas de 1992. Era  possível ser o irresponsável mais pancada do São Lourenço estando ali na região Central escutando “Smells Like Teen Spirit”. 

Continua...        

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Sonho na ponta da agulha  (Ansiedad; Opresion) escrito em terça 16 outubro 2007 18:01

Blog de manifesto :manifesto, Sonho na ponta da agulha

Um gramophone escrito

Riscando meu sono profundo

insano

Suas cantigas de ninar (passadas)

Doces encantos

No fim da estória

Um solzinho (alguém mate a fada)

Com os pés na lama

Do dia pra noite o uivo

                       (Seu filho)

Chamando o velho

Você quieto caquético

Com seu pé ainda na lama

                                 (velho mesmo)

Fazendo de tudo

O contrario de tudo, sempre

Pra não espalhar a merda

                            (lama no espelho)

Rugas pichando um sorriso

      Olhares consternados

                (Pai não basta o uivo de Allen)

Um caso paternal       (pensa)

            De amor e ódio hibernal

Criei um monstro       (que fazer?)

Ler um livro               (de contos talvez)

Lampejos suficientes por uma

ou duas noites            (talvez?!)

Amores e gramophones se auto-

                                           falando

                                           mutuamente

Contorcem e não exprimem

Um comentário convincente

Sobre o suicídio de Werther

São bêbados, não importa!

Balbuciam motivos incertos

Talvez afogamento

                            É, talvez...

Em vinho em café

Amores velhos

              como livros

Velhos

              como seus amores

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Manifesto para os leitores do space Vernille  (Manifesto) escrito em terça 16 outubro 2007 11:11

Blog de manifesto :manifesto, Manifesto para os leitores do space Vernille

Fiquei imaginando uma maneira eficiente de comunicar aos leitores do space o motivo deste blog. Primeiro porque alguns já me conhecem, não com este manifesto, mas com outro blog, outro nome, Vernille, aqui mesmo no space.  Segundo, sempre pensei em criar o meu blog, e no anterior, que era em conjunto eu não estava tendo a liberdade total sobre oque era escrito e divulgado. Não tenho nenhuma forma rancor de meu amigo e colaborador que esteve opinando sobra forma e finalidade do blog.

Mas confesso que não me sentia livre. Tanto o nome do blog como as postagens estavam todas em minhas mãos, assim não via motivo em especial para continuar amarrado a uma segunda pessoa na criação.

Gostaria, se possível, que aqueles que estão acostumados a me contatar e a postar comentários e mensagens no blog Vernille, me enviassem um comentário ou mesmo uma mensagem expressando sua impressão pessoal dessa mudança, uma vez que considero todos meus amigos.

O nome Vernille, uma fantasia proposital, funcionava bem e continuaria funcionando, mas para me desprender de qualquer comprometimento com este nome de dupla criação vejo como saída este manifesto.

Estarei migrando alguns textos e poemas, a grande maioria na verdade, para este novo blog. Espero poder contar com todos vocês leitores do space.

Agradeço a atenção e compreensão de todos.

 

Um grande abraço.

 Marco
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